"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."

Cecília Meireles

quinta-feira, 9 de junho de 2011

UMA CARTA PARA A VIDA ( CONTO) parte 2



No começo de fevereiro Lia retornou com o filho, ambos com um bronzeado maravilhoso. Ela estava radiante, com seus cabelos castanhos, encaracolados um pouco acima dos ombros; vestia um vestido curto cor gelo com estampas em azul, coral e caramelo, que deixava à mostra suas costas cheias de pequenas pintinhas.
_Meninas, que pena que vocês não foram! O apartamento era grande, dava para todas irem. Imaginem, bem em frente ao mar..._falou como se estivesse ainda olhando para o mar.
Contou cada detalhe de sua estada na praia. Depois, começou a falar sobre os dias que ficou na fazenda.
Ela sabia o motivo das irmãs não terem ido; umas foram ficar uns dias com a mãe no interior, outras não puderam viajar porque os maridos não estavam em período de férias e a mais nova estava guardando dinheiro para trocar de carro.
Então começou a abrir a mala e entregar as lembrancinhas que trouxe da praia. Na empolgação da entrega das lembrancinhas, uma das irmãs, perguntou: _Você não está se esquecendo de contar mais nada?
_Tá bom! Não fui visitar mamãe, mas liguei para ela toda semana, ela está ótima, irei lá no próximo feriado. 
_Ela está se referendo ao encontro! _disse outra irmã.
_Ah... O encontro?  Pois é, eu ainda não marquei... deve ter um monte de e-mails dele para responder_ Lia falou calmamente. A Rê deve saber melhor que eu, ela vive olhando meus e-mails...
As irmãs se entreolharam e não disseram mais nada. Estava claro que se dependesse de Lia, aquele encontro não aconteceria. A irmã caçula estivera em contato com o Júlio, e ele realmente esperou que Lia marcasse o encontro nas férias.
Era quase meio dia, de um lindo sábado ensolarado. Rê estava voltando de sua caminhada diária com o marido, quando olhou para a janela da casa de Lia, que ainda se encontrava fechada. Nos finais de semana eles também não acordavam muito cedo, mas aquilo já era demais. Despediu-se do marido e correu para a porta de Lia, fazendo uma batucada escandalosa.
_Que é, sua maluca? O que aconteceu?
_Eu vi o Júlio vindo ali no começo da rua e vim correndo te contar antes que ele te achasse dormindo. _disse a Rê, fingindo dificuldade para respirar.

_Tenha calma, Rê _tranquilizou a outra. _Onde ele encontrou o meu endereço? Só se a mãe deu, ou você...
Quando viu que a irmã nem se alterou, Rê deixou-se cair no sofá desanimada, cada vez mais intrigada com a indecisão da irmã;
logo faria um ano que ela recebera a primeira carta e até então tudo ficou entre carta, cartões nas datas comemorativas e e-mails. O rapaz já estava cansado de tentar encontrar-se com ela. Ela porém, continuava arrumando desculpas.
_Eu estava brincando, sua boba, queria apenas te dar um susto. Você parece que não tem sangue nas veias...- falou, desanimada.
_Ahn?_ resmungou Lia enquanto bocejava.
_E lá na fazenda ou na praia, você não ficou com alguém, não deu uns beijos?
Lia caminhava preguiçosamente pela sala, ainda com seu pijama largo de malha florida.
_Conheci um monte de gente, mas não para beijar, só para jogar conversa fora. _Preste atenção, mocinha! _ olhou bem para os olhos da irmã _ eu não estou procurando ninguém. E não gosto dessas novidades, esse negócio de ficar, para depois perguntar o nome. Acho uma falta de respeito pelo corpo, pelos sentimentos, não gosto e pronto!
_Você gosta é de ter essa vida mais ou menos_ respondeu a irmã, _
com medo de se envolver, de amar.
_ É possível! Veja bem! Eu tenho uma semana cansativa, cheia de compromissos, aí eu chego em casa, vou dar atenção ao meu filho, que é uma coisa que adoro fazer. Imagine outra pessoas para eu dar atenção também, não é mais um compromisso?
_Não é compromisso, é lazer, é prazer... – respondeu a irmã.
_Nem sempre, minha cara. Nem sempre. Às vezes vira mais uma obrigação. - disse Lia séria, dirigindo-se ao banheiro _ Vou tomar um banho.  Faça um café bem forte, por favor!





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